Vamos falar sobre adolescência…

Recebemos este mês uma convidada especial no Elvira para uma noite muito proveitosa com as famílias do 7º ano. Selma Brito, mãe, baiana, educadora, master coach e especialista em educação sexual, esteve aqui para conversarmos sobre a questão da família e o adolescente.

Como sabemos, a adolescência é um período bastante conturbado. O aflorar da sexualidade traz transformações não apenas corporais, mas também psíquicas e interpessoais, na medida em que muitos dos laços preexistentes, inclusive os laços com a família, são afetados pelas novas formas do adolescente de pensar e agir.

É um momento de desordem, como qualifica Selma – com ênfase na palavra “momento”. O que as famílias, com frequência, têm dificuldade para compreender é que se trata de uma etapa no caminho de um desenvolvimento que ainda não está completo, mas que é vista como se fosse permanente, como se este novo indivíduo, que já não é mais criança, não fosse continuar crescendo e se desenvolvendo.

A pergunta que Selma fez às famílias foi: em que o seu filho incomoda? E, a partir daí, continuar a perguntar: como lidar com esses incômodos e desgastes? Uma reação típica, já bem incorporada ao imaginário coletivo, é a do confronto direto. As brigas, as acusações, gritaria e bater de portas, o clássico “vocês não me entendem”.

No entanto, a especialista adverte, “essa é a pior abordagem possível, porque, ao se confrontar um indivíduo em estado de desordem, como é o adolescente aos 12-13 anos, é gerado apenas um conflito desnecessário e frustração, já que o adolescente não é capaz de dar as respostas que os pais procuram”.

Em alguns casos, a consequência desse conflito pode ser o rompimento de uma relação de confiança e credibilidade entre a família e o adolescente – o que é lamentável, porque os adultos têm um papel importante a desempenhar como referência para esses indivíduos em transformação.

A situação é ainda mais complicada se a própria família já se encontrar num estado psíquico fragilizado e não estiver dando conta de fornecer a estrutura necessária, com o dever de acolher ao mesmo tempo que impõe limites.

Num segundo momento, foi discutido também o papel da escola para colocar as famílias em diálogo, na medida em que ela pode servir como um espaço de contato e mediação. “Como diz o famoso provérbio africano, é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. Por isso não é incomum que as famílias se sintam solitárias nesse momento de desordem e tenham dificuldade em lidar com as novas formas de interação proporcionadas pela transformação da criança em adolescente”, explica Selma.

E ainda complementa, “jovens de diferentes famílias, por exemplo, podem vir de contextos de normas sociais diferentes – o que é normal na casa de uma família não é normal em outra –, e o contato entre as famílias promovido pela escola pode ajudar a minimizar os possíveis conflitos advindos dessa situação, sobretudo quando os filhos são também colegas”.

A partir disso, uma discussão muito produtiva se seguiu, em que as famílias puderam dialogar com base nesse ponto de identificação das “dores de família” e oferecer apoio mútuo. A escola apenas apontar o dedo e acusar que esse problema deve ser resolvido em casa não só não é uma postura colaborativa como também representa um desperdício do seu potencial como espaço de contato.

“Estabelecer esse diálogo triangulado entre os adolescentes, os pais e a escola é crucial para uma boa aprendizagem e para o bem-estar dos estudantes, na escola e em casa. É preciso empatia de todas as partes, tanto da família em relação aos adolescentes, quanto da escola em relação às famílias, a fim de que se entenda o processo de mudança pelo qual os adolescentes estão passando e que motivam seu comportamento, mesmo quando eles mesmos não o entendem. No mais, há a necessidade também de sensibilidade para saber equilibrar a postura compreensiva com um pulso firme. Ter empatia não é ser permissivo, do mesmo modo como ter pulso firme não é ser autoritário, mas sim ter a capacidade de impor os limites aos quais eles precisarão se acostumar em sua entrada na vida adulta – e esse momento de transição, ainda que tumultuoso, é ideal para isso”, finaliza Selma.

Uma vez ao mês contaremos com a presença da Selma para uma roda de conversas com as famílias. O tema para maio será “O impacto da tecnologia na construção do sujeito”. Em breve, divulgaremos mais informações.

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